A campanha Janeiro Branco chama a atenção da sociedade para a importância do cuidado com a saúde mental e reforça a necessidade de ampliar esse debate para diferentes contextos sociais. Entre eles, está o adoecimento psíquico de mulheres vítimas de violência doméstica e familiar, uma realidade que provoca impactos profundos e duradouros em todas as dimensões da vida dessas mulheres.
E a partir desse contexto, a psicóloga da Casa da Mulher Alagoana, Jeniffer Farias, explicou como a atuação da Casa acolhe essas mulheres em sofrimento mental e deu orientações sobre como ajudá-la.
Violência X adoecimento mental
De acordo com Jeniffer, a vivência da violência afeta de forma significativa a saúde mental. Segundo ela, muitas mulheres acabam internalizando sentimentos de culpa, desenvolvem um estado constante de hipervigilância e têm a autoestima profundamente abalada.
Esses fatores comprometem o funcionamento global da mulher, atingindo o desempenho profissional, as relações familiares, sociais e interpessoais, explica.
A psicóloga destaca que os sinais do adoecimento mental não surgem de forma isolada. Sentimentos de culpa e vergonha, choro frequente e persistente, dificuldade de manter o emprego e de dar continuidade a projetos de vida estão entre os principais indicadores observados. São manifestações que se interligam e refletem o impacto emocional causado pelo ciclo de violência, pontua.
A psicóloga ressalta que a permanência das mulheres em relacionamentos abusivos está associada a diversos fatores, como a dependência emocional, a vulnerabilidade financeira, as responsabilidades com os filhos e o isolamento da rede de apoio, muitas vezes provocado pelo próprio agressor. Esse afastamento dificulta o rompimento do ciclo da violência e aprofunda ainda mais o sofrimento emocional, afirma.
Janeiro Branco e acolhimento
Nesse contexto, a discussão proposta pelo Janeiro Branco se torna fundamental. Para a psicóloga, falar sobre saúde mental e violência doméstica promove reflexão, prevenção e acolhimento, além de fortalecer as redes de apoio.
É essencial que familiares, amigos e a sociedade ouçam sem julgar, não romantizem nem normalizem a violência e permaneçam próximos dessas mulheres em sofrimento, enfatiza.
Ela destaca que o acompanhamento psicológico é apontado como um dos principais caminhos para o rompimento do ciclo da violência. Ao longo do processo terapêutico, a mulher consegue identificar que está em um relacionamento abusivo, reconhecer padrões de violência, fortalecer a autoestima, desenvolver estratégias de enfrentamento e investir no autocuidado. Pedir ajuda não é sinal de fraqueza, mas de coragem, reforça a psicóloga.
No âmbito institucional, o Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL) lançou a campanha Janeiro Branco 2026, reforçando o compromisso com a promoção da saúde mental e destacando a importância de refletir sobre a temática em diversos setores da sociedade.
A Casa da Mulher Alagoana desempenha papel fundamental no cuidado e na proteção das mulheres em situação de violência doméstica e familiar. A instituição conta com equipe multidisciplinar, formada por psicólogas e assistentes sociais, que oferece acolhimento humanizado e os direcionamentos necessários para que essas mulheres consigam romper o ciclo da violência e reconstruir suas vidas com dignidade e segurança.
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